"Não ponha todos os ovos na mesma cesta" todo mundo já ouviu. O que quase ninguém entende é por que isso funciona e como fazer direito — porque ter muitos ativos não é, necessariamente, estar diversificado.
Diversificar é espalhar o dinheiro por vários ativos para reduzir o risco específico (o de uma empresa quebrar — Aula 03). O detalhe espetacular: feita certo, ela reduz o risco sem reduzir o retorno esperado. Por isso é chamada de "o único almoço grátis" das finanças — você ganha proteção de graça.
Mas atenção: a diversificação não combate o risco de mercado (quando tudo cai junto). Ela ataca o risco de cada ativo individual — e para isso o que importa não é a quantidade de ativos, e sim como eles se movem entre si.
A correlação mede como dois ativos se movem juntos, de −1 a +1:
A mágica está aí: combinar ativos pouco (ou negativamente) correlacionados faz os solavancos se cancelarem parcialmente — a carteira fica mais estável que a média dos ativos que a compõem.
Ter 10 ações de bancos não é diversificar — elas têm correlação altíssima (sobem e caem quase juntas). Você tem dez ativos e um risco. Diversificação de verdade é misturar coisas que reagem diferente: setores distintos, classes diferentes (ações + renda fixa + internacional), moedas diferentes. A pergunta certa não é "quantos ativos eu tenho?", e sim "quão parecidos eles são?".
A correlação é cidadã de primeira classe na montagem da carteira: o carteira_final
pode penalizar ativos muito correlacionados (flag --sem-correlacao), e a carteira_10_acoes
força diversificação setorial antes de ponderar. Há até um caso clássico de falsa diversificação tratado no
projeto: a "vol-lisa" do crédito faz fundos parecerem descorrelacionados quando não são — por isso existe um
teto de família de crédito, para não concentrar risco achando que está diversificando.
b. Feita certo, dá proteção de graça. (Mas não elimina o risco de mercado — só o específico.)
b. Correlação +1 = movimento idêntico. A diversificação vem de correlações baixas ou negativas.
b. Dez ativos, um risco. Diversificar é misturar coisas que reagem diferente.
Olhe uma carteira que você conheça (sua ou de alguém). Os ativos dela reagem diferente aos mesmos cenários — ou é tudo "a mesma aposta" com nomes diferentes? Essa é a diferença entre parecer e estar diversificado.