A renda fixa tem fama de "simples e sem risco". A primeira parte é meia-verdade; a segunda é perigosamente falsa. Esta aula desfaz os dois mitos — incluindo o que mais confunde: por que um título de renda fixa pode cair de preço.
Na renda fixa você empresta dinheiro a alguém e recebe de volta com juros, em regras combinadas na largada. Quem toma emprestado (o emissor): o governo (Tesouro Direto), os bancos (CDB, LCI, LCA) e as empresas (debêntures). "Fixa" não quer dizer que o valor não oscila — quer dizer que a regra do juro é definida desde o início.
| Tipo | Como rende | Bom quando… |
|---|---|---|
| Pós-fixado | segue uma taxa que varia — em geral o CDI/Selic ("100% do CDI") | juros estão altos ou vão subir; reserva |
| Prefixado | taxa travada na compra (ex.: "12% ao ano") | você acha que os juros vão cair |
| Híbrido (inflação) | IPCA + taxa (ex.: "IPCA + 6%") — garante ganho real | proteger o poder de compra no longo prazo |
A Selic é a taxa básica de juros do país (definida pelo Banco Central); o CDI anda quase colado nela. Juntos, são a referência da renda fixa: "render 100% do CDI" = acompanhar a taxa básica. É o "piso" contra o qual todo investimento é comparado.
Aqui está o que quase ninguém entende — e o que faz gente vender no prejuízo achureando "renda fixa não era segura?". Se você leva o título até o vencimento, recebe exatamente a taxa combinada. Mas se quiser vender antes, recebe o preço de mercado do dia — e esse preço sobe e desce.
É a reavaliação diária do preço de um título conforme os juros de mercado mudam. A relação é inversa: quando o juro de mercado sobe, o preço de um título prefixado antigo cai (afinal, agora há títulos novos pagando mais — o seu, que paga menos, vale menos). Quando o juro cai, o preço do seu título sobe.
Moral: pós-fixado (CDI) quase não sofre marcação — bom para reserva e curto prazo. Prefixado e IPCA+ oscilam mais — ótimos se carregados até o fim, mas voláteis no caminho.
Alguns títulos são isentos de Imposto de Renda para pessoa física: LCI/LCA (bancos), CRI/CRA e debêntures incentivadas (infraestrutura). Render "menos" isento pode pagar mais que um CDB tributado — sempre compare o líquido (Aula 28 do curso aprofunda o IR).
A Allokin trata renda fixa a sério: há screening_rf_soberanos (curvas BR e US —
duration, inflação-breakeven), screening_rf_isentos (FI-Infra, FIAGRO, isentos) e a curva DI
(curva_di). O conceito de duration — o quanto um título sofre com a marcação — é central:
quanto maior a duration, maior a "gangorra". E o detector_regime lê a curva de juros para sugerir
quando alongar ou encurtar.
b. CDI ≈ Selic = taxa básica. 100% do CDI = acompanhar essa referência.
b. Relação inversa (marcação a mercado): juro sobe → preço cai. Só te afeta se vender antes do vencimento.
b. Mito perigoso. RF tem riscos reais; o FGC cobre bancos até R$250 mil, mas debênture não tem garantia.
b. O pós-fixado segue a taxa diária e quase não oscila — ideal para liquidez/reserva.
Se um título "garantido" pode cair de preço quando os juros sobem, o que isso te diz sobre a frase "renda fixa é 100% segura"? A segurança depende de qual renda fixa, de quem emitiu e de você poder carregar até o vencimento.