Os números brutos do balanço e da DRE só viram úteis quando viram razões — indicadores que permitem comparar empresas de tamanhos diferentes. Estes são os que de fato movem a agulha.
| Indicador | Conta | O que mede | "Bom" sinaliza |
|---|---|---|---|
| ROE | lucro líquido ÷ patrimônio líquido | rentabilidade do capital dos sócios | alto (eficiência) |
| Margem líquida | lucro líquido ÷ receita | quanto de cada venda vira lucro | alta |
| Dív. líq. / EBITDA | dívida líquida ÷ EBITDA | quantos anos de caixa p/ pagar a dívida | baixo (< ~3) |
| P/L | preço ÷ lucro por ação | quantos anos de lucro p/ "pagar" a ação | baixo (com ressalva) |
| P/VP | preço ÷ valor patrimonial | preço vs patrimônio contábil | baixo (com ressalva) |
| Dividend yield | dividendo ÷ preço | renda sobre o que você paga | alto e sustentável |
| Payout | dividendos ÷ lucro | % do lucro distribuído | equilibrado (nem 0, nem ~100%) |
O ROE é talvez o indicador-rei da qualidade: mede quanto de lucro a empresa gera para cada R$1 de capital dos sócios. ROE de 20% = a cada R$100 de patrimônio, a empresa produz R$20 de lucro por ano. Empresas excelentes têm ROE alto e consistente (não um pico isolado). Cuidado: ROE inflado por muita dívida é qualidade falsa — por isso se olha junto com o endividamento.
O P/L diz quantos anos de lucro atual você está pagando pela ação. P/L 8 = oito anos. É a métrica de valor mais usada. Mas tem armadilha: um P/L muito baixo pode ser uma empresa barata porque está em declínio (uma "armadilha de valor"), e um P/L alto pode se justificar por crescimento. Nunca se decide por um indicador isolado.
Todo indicador só faz sentido comparado: com o histórico da própria empresa e com os concorrentes do mesmo setor. P/L 6 é barato para um banco e caro para uma empresa em crise. Um DY de 12% pode ser ótimo — ou um sinal de que o mercado espera que o dividendo caia. Contexto é tudo.
| Indicador | Empresa A | Empresa B |
|---|---|---|
| ROE | 22% | 7% |
| Margem líquida | 18% | 9% |
| Dív. líq./EBITDA | 0,8× | 4,5× |
| P/L | 12 | 6 |
| Dividend yield | 5% | 9% |
A B parece "mais barata" (P/L 6, DY 9%). Mas ela é pouco rentável (ROE 7%) e muito endividada (4,5×) — o preço baixo e o dividendo gordo podem ser uma armadilha. A A é cara no P/L, mas é de qualidade superior. Qual é o melhor negócio? Depende — e é por isso que se combina qualidade + valor + dividendos, em vez de perseguir um número só. (É o tema da Aula 14.)
Estes indicadores são os ingredientes do screening da Allokin. O score
combina três pilares: qualidade (ROE, margem, baixa dívida), valor (P/L, P/VP) e dividendos
(DY, payout sustentável). E resolve a "regra de ouro" desta aula de forma automática: cada métrica é convertida
em percentil dentro do próprio setor — comparando maçã com maçã, banco com banco. Você está, literalmente,
aprendendo a ler o que o sistema calcula em escala.
b. ROE = lucro líquido ÷ PL. O indicador-rei da qualidade — desde que não esteja inflado por dívida.
b. Barato pode ser barato por um motivo. Por isso nunca se decide por um indicador isolado.
b. P/L, margem e dívida têm padrões diferentes por setor; comparar fora do setor distorce. A Allokin usa percentil por setor.
b. Preço baixo + dividendo alto podem esconder qualidade ruim e risco de o dividendo cair. Qualidade importa.
Se você só pudesse olhar um indicador antes de virar sócio de uma empresa, qual escolheria — e por quê? (Não há resposta única, mas perceber que nenhum indicador sozinho basta já é meio caminho para investir bem.)