Para escolher boas empresas (em vez de adivinhar), você precisa ler as três demonstrações que toda companhia publica. A primeira é o balanço — uma fotografia do que a empresa tem e do que deve. Vamos montá-lo do zero, sem jargão.
Todo balanço, de qualquer empresa do mundo, obedece a uma única equação que sempre fecha:
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido
O que a empresa tem = o que ela deve aos outros + o que sobra para os donos. Faz sentido: tudo o que a empresa possui foi financiado de dois jeitos — com dinheiro de terceiros (dívida) ou com dinheiro dos sócios.
Você tem casa (R$300k) + carro (R$50k) + conta (R$20k) = Ativo R$370k. Deve financiamento (R$180k) + cartão (R$10k) = Passivo R$190k. Seu Patrimônio Líquido = 370 − 190 = R$180k. Esse é o seu balanço pessoal — o de uma empresa é exatamente a mesma lógica, em escala maior.
Ele mostra a posição num instante (31/12, por exemplo) — não conta como a empresa chegou ali nem se ela ganha dinheiro. Para isso existem as outras duas demonstrações (a DRE e o fluxo de caixa, próxima aula). Balanço sozinho = meia história.
A Allokin lê o balanço de todas as empresas direto dos dados da CVM
(fundamentos_cvm). Dali saem o PL (para o P/VP), a dívida e o caixa (para a saúde
financeira no score de qualidade). Uma pegadinha real do projeto: banco tem plano de contas diferente —
usa contas específicas para PL e lucro —, então o sistema precisa tratá-lo à parte para não calcular P/VP e ROE
errados. Ler o balanço certo é o primeiro tijolo da seleção.
b. Ativo = Passivo + PL. O que a empresa tem = o que deve + o que é dos sócios.
b. PL = Ativo − Passivo = o valor contábil que pertence aos donos.
b. Dívida líquida = dívida − caixa: a dívida "real" depois de abater o dinheiro em mãos.
Monte o seu balanço pessoal em um minuto: some o que você tem, subtraia o que deve. O número que sobra é o seu Patrimônio Líquido. Agora imagine fazer isso para uma empresa, todo trimestre, e comparar com as concorrentes — é exatamente o que a análise fundamentalista faz.